sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Livro do mês de Novembro



Papiniano Manuel Carlos



Biografia

Vasconcelos Rodrigues nasceu em Lourenço Marques, Moçambique, a 9 de Novembro de 1918 e faleceu em Pedrouços, Maia, no dia 5 de Dezembro de 2012.
Aos 10 anos de idade foi viver com a mãe para o Porto, onde frequentou os estudos secundários no Liceu Alexandre Herculano. Frequentou os cursos de Engenharia Eletrotécnica e Engenharia Mecânica na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, e o de Ciências Geofísicas, na Faculdade de Ciências da mesma universidade.
Publicou o primeiro livro em 1942, um volume de poesias intitulado Esboço. Quatro anos depois editou Estrada Nova – Caderno de Poemas, com capa de Júlio Pomar, uma obra bem acolhida pelo público, mas rapidamente apreendida pela PIDE, devido à inspiração social e democrática do autor. Naquele ano foi também publicado Terra com sede, que marca a sua estreia na ficção.
No final dos anos 40 do século XX, fixou-se no Porto e juntou-se ao PCP, desenvolvendo intensa atividade clandestina contra o regime fascista de Salazar, usando o pseudónimo Garcia, em homenagem ao poeta andaluz Garcia Lorca. Foi preso três vezes pela PIDE. Na qualidade de membro do Conselho Português para a Paz e Cooperação, fez várias viagens ao estrangeiro e numa delas conheceu e tornou-se amigo do poeta Pablo Neruda, então embaixador do Chile em Paris.
Escreveu várias obras literárias, geralmente de cariz poético, como” A Ave Sobre a Cidade” ou” Sonhar a Terra Livre e Insubmissa”, e também diversos livros infanto-juvenis, como “A Menina Gotinha de Água “ou” Luisinho e as Andorinhas”.




Concurso de leitura Expressiva, podes descarregar a ficha de inscrição, AQUI

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Artista Plástico


                     Biografia    Mondrien, Piet



Nome completo:  Pieter Cornelis Mondrian
Nascimento: 7 de Março de 1872 em Amersfoort
Morte: 1 de Fevereiro de 1944 com 71 anos em Nova Iorque
Nacionalidade: Países Baixos
Ocupação: Pintor
Movimento estético: Neoplasticismo


Nascido num ambiente rural, Piet Cornelis Mondrian vinha de uma família calvinista extremamente religiosa. O seu pai desejava que o filho seguisse a carreira eclesiástica. A religião marcou o jovem Piet e o sentimento metafísico iria permear a sua obra durante toda a vida.

A carreira artística nasce por influência de um tio, mas foi obrigado a enfrentar a visão ortodoxa da família, que via na arte um caminho para o pecado. Vê, porém, a possibilidade de dar aulas prometendo ao pai estudar artes e ao mesmo tempo formar-se professor.

Insatisfeito com o magistério, Mondrian sente a necessidade de libertar-se e estabelecer-se como pintor, mas teme enfrentar o pai (que de antemão desaprovava a ideia) e a si mesmo, tal era o peso da sua formação religiosa. Quando entra em contacto com a teosofia utiliza esta doutrina como estandarte, uma vez que, esta, pregava o trilhar de um caminho evolutivo pessoal e a arte encaixava-se neste caminho.

Piet Mondrian começou a sua carreira como caminheiro ao mesmo tempo que ia praticando a sua pintura. A maior parte do seu trabalho neste período é influenciada pelo naturalismo ou impressionismo. No museu Gemeente, em Haia, estão expostos vários trabalhos deste período, incluindo exemplares pós-impressionistas, tais como, "O Moinho Vermelho" e "Árvores ao andar". (O museu também tem exemplos do seu trabalho geométrico posterior).


Após entrar em contato com a teosofia, Mondrian passa por um breve período simbolista fundamental para que atinja a abstração. Este período costuma-se confundir com a radical abstração que caraterizaria o resto de sua obra (revelando uma certa tendência à geometrização e à síntese da realidade). Além do pensamento espiritual calcado na busca de uma essência matemática e racionalidade para a existência que carateriza a teosofia, Mondrian também exibiu um interesse quase obsessivo pelo jazz.

A abordagem sequencial de três telas com árvores (A árvore vermelha - 1908, A árvore cinzenta - 1912 e Macieira em Flor - 1912), mostra como se processou a desconstrução figurativista de sua obra (processo de simplificação por nivelamento).


Em 1913 visitou uma exposição cubista em Amsterdão que o marcou profundamente e teve grande influência no seu trabalho posterior.

A partir de 1917 até a década de 1940 desenvolve sua grande obra neoplástica.

Esta fase da sua obra, a mais popular, caracteriza-se por pinturas cujas estruturas são definidas por linhas pretas ortogonais. Estas linhas definem espaços que se relacionam de diferentes modos com os limites da pintura e que podem, ou, não, serem preenchidos com uma cor primária (amarelo, azul e vermelho) definindo, deste modo, diferentes pesos visuais na obra. Os blocos de cor pintados distribuídos assimetricamente reforçam a ideia de um movimento superficial infinito. Esta ação mostra a sua estreita relação com as teorias estéticas da Bauhaus e da Escola de Ulm.

A intensão da sua obra é uma abstração espiritual, racional e materialista sem profundidade que parte da representação da realidade criticando a pintura histórica da época.
A sua obra, muitas vezes copiada, continua a inspirar a arte, o design, a moda e a publicidade que se apropriam, desta, sem ter em conta a sua filosófica recusa à imagem.

Em 1930, Lola Prusac, estilista da Casa HERMES criou uma linha completa de bolsas e malas que são inspiradas diretamente nas obras de Mondrian com cortes vermelhos, amarelos e azuis.

O seu quadro "Broadway Boogie Woogie", que pode ser visto no Museu de Arte Moderna de São Francisco, pertence à fase posterior ao Neoplasticismo, quando Mondrian se liberta das regras que ele próprio se impôs.

Trabalhos mais conceituados:

- Árvores a luz da Lua - 1908

- A àrvore vermelha - 1908

- Paisagem - 1909

- A Igreja de Domburg - 1910

- O Moinho Vermelho - 1910

- Evolução - 1911

- A árvore cinzenta - 1912

- Macieira em flor - 1912

- Composição (árvore) - 1913

- Composição com cores B - 1917

- Tabuleiro com cores claras - 1919

- Composição com vermelho, amarelo e azul, ano de 1921

- Composição com amarelo - 1930

                - Broadway Boogie-Woogie - 1942











quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Mês da Biblioteca

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

CONCURSO DE LEITURA EXPRESSIVA

Procurando incentivar o gosto pela leitura e dando continuidade à experiência positiva do ano transato, a Equipa da Biblioteca Escolar decidiu lançar novamente o desafio aos alunos, convidando-os a participar num concurso de leitura expressiva, que decorrerá em duas fases. Numa primeira fase, o desafio consiste na declamação de um texto alusivo à natureza, em língua portuguesa, inglesa e francesa. Numa segunda fase, o poema a recitar deverá ter como tema o 25 de Abril, assinalando os 40 anos da Revolução.

Ver regulamento e datas aqui.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Livro do mês de Outubro




Biografia do autor:


Nasceu em Vilarelho, Ovil, concelho de Baião, distrito do Porto em 1957. 
      É professor do Ensino Básico desde 1975. Em 1979 publicou o seu primeiro livro: "A Aldeia das Flores".

      Em 1983, com a obra "O rapaz de Louredo" ganhou um prémio da Associação Portuguesa de Escritores.

      Em 1990, com o romance "Pedro Alecrim" recebeu o Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças.

      Em 1996, com a obra "A casa das Bengalas", ganhou o Prémio António Botto.

      Em 2004 recebeu o Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para crianças e jovens, na modalidade livro ilustrado, com o livro "Se eu fosse muito magrinho".

      Desde 1980 é solicitado a visitar escolas do ensino básico e secundário e também bibliotecas públicas em diversas localidades do País, onde tem, desta forma, contribuído para o fomento do gosto pela leitura entre crianças e jovens.

     Tem colaborado em vários jornais e foi interveniente em acções realizadas por várias Escolas Superiores de Educação de Portugal. 


Desafio deste mês


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Artista Visual deste mês
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Desafio deste mês
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terça-feira, 3 de setembro de 2013

Livro do mês de Setembro


Biografia do AUTOR: José Jorge Letria

José Jorge Letria nasceu em Cascais em 1951. Estudou Direito e História e é pós-graduado em Jornalismo Internacional. Com dezenas de livros publicados em diversas áreas, foi distinguido com importantes prémios literários nacionais e internacionais.
É um dos mais destacados nomes da literatura infanto-juvenil em Portugal e autor de programas de rádio e televisão. Está traduzido em várias línguas. Integrou, com José Afonso, Adriano e Manuel Freire, entre outros, o movimento da canção de resistência, tendo sido agraciado em 1997 com a Ordem da Liberdade. Foi, durante oito anos, vereador da Cultura da Câmara de Cascais. É, desde Janeiro de 2011, presidente da Sociedade Portuguesa de Autores. É coautor, com José Fanha, de várias antologias de poesia portuguesa.



Desafio do Mês








terça-feira, 4 de junho de 2013

Livro do mês de junho









Desafio do mês de junho







terça-feira, 7 de maio de 2013

Livro do mês de Maio


O João e a Rosalinda viviam na mesma cidade, na mesma rua e em casas mesmo


encostadinhas. Tão encostadinhas que só um muro separava os dois quintais — o quintal do

João e o quintal da Rosalinda. Mas como os dois amigos passavam o tempo a saltar o muro

— ora salto eu para o quintal da Rosalinda, ora salto eu para o quintal do João — os pais de

ambos resolveram deitar abaixo o muro e ficaram com um grande e belo quintal para todos.

E era no quintal, debaixo da laranjeira grande, que os dois amigos mais gostavam de

brincar. E que brincadeiras! Ele eram corridas, ele eram gargalhadas, ele eram cantigas! Até

a D. Gertrudes, avó da Rosalinda, dizia rindo também:

– Ai, estes risos! Como eles me fazem bem!

Mas um dia... a Rosalinda não apareceu debaixo da laranjeira grande. Preocupado,

João foi logo a correr a casa da amiga. Estaria doente?

Foi a mãe de Rosalinda que abriu a porta e disse:

– A Rosalinda está na sala. Já chamámos o médico. Não tem febre, não tem dores, parece

que nem tem nada, mas está tão triste! É que, sabes, a tristeza pode ser uma doença.

Então João entrou na sala e encontrou a amiga sentada numa cadeira, com a cabecinha

muito direita, as trancinhas negras caídas nos ombros, os olhos parados, as mãos imóveis... e

caído aos seus pés o Bebé, seu boneco preferido, com uma lágrima redondinha como uma pérola

a deslizar nas suas bochechas rosadinhas.

Era isso, então, concluiu o João. A Rosalinda estava doente de tristeza.

Nessa noite, João deitou-se, muito triste também, a pensar na amiga. Os seus olhos

fecharam-se e ele ouviu, vinda não sabia de onde, uma voz misteriosa que dizia:

– Só tu podes salvar Rosalinda. Sobe ao pico mais alto das Montanhas da Neve e lá

encontrarás a Flor da Alegria. Colhe-a e trá-la contigo, pois só ela pode salvar a tua amiga.

Então João pôs-se a caminho das Montanhas da Neve. Quando se preparava para começar

a subida, apareceu-lhe no caminho um dragão, com a sua cauda de serpente e as suas asas a

vibrar de fúria:

– Não sabes que eu sou o guardião destas Montanhas? Não sabes que nunca ninguém por

aqui conseguiu passar?

– Mas eu tenho de subir ao pico mais alto das Montanhas da Neve para colher a Flor da

Alegria e salvar a minha amiga Rosalinda que está doente de tristeza – explicou o João.

O dragão, indeciso, coçou com as suas fortes garras a cabeça coberta de escamas e, mais

brando, disse:

– É bonito isso da Amizade! Olha, poderás subir ao pico mais alto das Montanhas

para colheres a Flor da Alegria, mas terás de vencer três provas muito difíceis para mostrares

que és mesmo amigo da Rosalinda. É que a Amizade não é coisa fácil, sabes?

E João, ao recordar a carinha triste da amiga, encheu-se todo de coragem e prometeu ao

dragão:

– Faço tudo, mesmo tudo o que for preciso, para salvar Rosalinda.

– Isso que disseste é bonito também. Agora vou dizer-te as três provas que terás de

vencer para chegares ao pico mais alto das Montanhas da Neve: entrar na Caverna dos Leões

Ferozes; trazer a coroa de diamantes da Rainha das Fadas que está no ramo mais alto da mais

alta árvore do Bosque dos Abetos; e, por fim, atravessar o Lago das Águas Verdes. Então

encontrarás a Flor da Alegria – e o dragão desapareceu numa nuvem de fogo.

E o João continuou a caminhar.

Numa clareira, encontrou um leão bebé, de pêlo dourado, que brincava, pulava e rebolava

sobre um tapete macio feito de musgo verde e folhas caídas das árvores.

João parou um bocadinho a olhar encantado o leãozinho quando ouviu, atrás de si, um

barulhinho leve. Era um tigre felino, de pêlo amarelo e pescoço listrado de preto, que se

preparava para atacar o leão bebé. Então, sem pensar no perigo, João deu um salto, agarrou o

leãozinho e escondeu-se com ele numa caverna escura que se abria mesmo ao lado da clareira.

Do lado de fora, o tigre bem tentava atacá-los, mas a entrada da caverna era estreita e ele não

conseguia entrar. Por fim, foi-se embora, rugindo um forte rugido de cólera.

Quando o nosso herói se preparava para partir, apareceram, vindos do outro lado da

caverna, o Pai Leão, a Mãe Leoa e, pulando à volta deles, três filhotes, irmãos do leão bebé.

– Obrigada por salvares o nosso filho – disse a Mãe Leoa, aconchegando a si o leãozinho,

com a sua pata macia.

– Ele é muito desobediente. Saiu sozinho da caverna e só a tua coragem o salvou – disse

o Pai Leão, agitando a sua farta juba, em sinal de agradecimento. Que podemos fazer por ti,

amigo?

E o João falou:

– Eu tenho de entrar na caverna dos Leões Ferozes para subir ao pico mais alto das

Montanhas da Neve e aí colher a Flor da Alegria para salvar a minha amiga Rosalinda que está

doente de tristeza.

– Mas a caverna dos Leões Ferozes é esta. E, olha, nós não somos ferozes. Só atacamos

os outros animais para nos defendermos ou quando temos muita fome. Agora vamos contigo

até ao outro lado da caverna. É lá que fica o caminho para o pico mais alto das Montanhas da

Neve.

E os leões acompanharam o João até à saída da caverna e despediram-se com grande

amizade.

João olhou para o alto pico coberto de neve e, enchendo-se de força, começou a subida. Ia a

atravessar um bosque muito verde e cerrado quando ouviu lá do cimo:

– Ai! Ai! Ui! Ui! Ai! Ui!

Olhou e viu um macaquito muito aflito com o rabito enrolado no ramo de uma árvore.

– Ajuda-me cá! Ajuda-me cá! – pediu o macaquito. – Estava aqui a ensaiar saltos

mortais para a grande Festa dos Macacos que é já amanhã quando o meu rabo (sabes, o rabo

dos macacos é muito importante) se me enrolou neste ramo. E agora aqui estou preso. Achas

que podes libertar-me?

O João que, como já adivinharam, era muito amigo dos animais, não se fez rogado. Trepou

até ao ramo onde estava o macaquito e desenrolou com todo o cuidado o seu rabito.

– Ora aqui estou eu livre de novo. E com o meu rabinho inteiro! Estou-te muito agradecido.

O que posso fazer por ti, amigo?

– Eu tenho de ir buscar a coroa de diamantes da Rainha das Fadas que está no ramo

mais alto da mais alta árvore do Bosque dos Abetos.

– Mas o Bosque dos Abetos é aqui. E a mais alta árvore do bosque é esta mesma onde

nós estamos. Espera um instantinho que eu sou um macaquito ágil e bom trepador e vou

retribuir-te o teu favor.

E o macaco subiu ao ramo cimeiro da árvore e voltou com uma coroa de diamantes que

brilhavam como mil estrelas acesas. E, com muitos abraços e agradecimentos, despediram-se e

cada um seguiu o seu caminho.

E João andou, andou, andou, já muito cansado, mas com os olhos pregados no pico mais

alto das Montanhas da Neve onde crescia a Flor da Alegria que iria salvar a sua amiga

Rosalinda que estava doente de tristeza.

Até que chegou às margens do Lago das Águas Verdes. E, no meio dos altos arbustos, foi

encontrar, ferida, uma Águia Real que em vão tentava voar, batendo as suas enormes asas,

aflita e sofredora.

– Águia Real, está sossegada. Eu vou tratar de ti e poderás voar de novo.

E João ficou nas margens do Lago das Águas Verdes durante três dias e três noites para

tratar a Águia Real. Por fim, ela conseguiu erguer-se e ensaiou um pequeno voo.

– Já posso voar de novo! Como te estou agradecida! Que posso fazer por ti, amigo?

– Eu tenho de atravessar o Lago das Águas Verdes, subir ao pico mais alto das

Montanhas da Neve e colher a Flor da Alegria para salvar a minha amiga Rosalinda que está

doente de tristeza.

– Nada mais fácil. O meu ninho é mesmo lá no pico mais alto das Montanhas. Sobe para

cima de mim sem medo. Nós, as Águias Reais, somos as mais fortes e as mais corajosas das

aves.

E João, agarrado ao pescoço da sua amiga, voou muito alto, sobre o lago das Águas

Verdes. E todos os animais do bosque levantaram para o céu uns olhos redondos de espanto. E

até os peixinhos do lago puseram de fora as cabecinhas curiosas. É que nunca ninguém tinha

visto um rapazinho voar montado numa Águia Real!

A Águia pousou no pico mais alto das Montanhas da Neve, despediu-se do amigo e voou

para o seu ninho.

E ali mesmo, no meio da neve, abrigada de todos os ventos por um rochedo, João encontrou

a Flor da Alegria. O seu pé era delicado e frágil, as suas folhas tinham a forma de um coração e

as suas pétalas tinham a cor quente da amizade. Então, com muito cuidado, João colheu a Flor,

apertou-a contra o coração, desceu as Montanhas da Neve a correr e a correr entrou na casa

de Rosalinda.

Já ela estava sentada na sua cadeira, com a cabecinha muito direita, as trancinhas

negras caídas nos ombros, os olhos parados, as mãos imóveis... e caído aos seus pés o Bebé,

seu boneco preferido, com uma lágrima redondinha como uma pérola a deslizar nas suas

bochechas rosadinhas.

João colocou a Flor da Alegria nas mãos de Rosalinda. Então uma estrelinha, muitas

estrelinhas começaram a brilhar nos olhos da amiga. Ela sacudiu a cabeça e as suas trancinhas

negras começaram a bailar para um lado, para o outro. Depois as suas mãos apanharam o Bebé

e secaram a lágrima-pérola das suas bochechinhas rosadas.

E virou-se para o João a rir. E o seu riso era tão alegre, tão claro, tão cristalino que ele

começou a rir também.

E a partir desse dia voltaram as brincadeiras debaixo da laranjeira grande. E que

brincadeiras! Ele eram corridas, ele eram gargalhadas, ele eram cantigas! Até a D. Gertrudes,

avó da Rosalinda, dizia rindo também:

– Ai, estes risos! Como eles me fazem bem!

E a Flor da Alegria?

Essa não morreu nunca. Ficou a morar para sempre no coração do João e no coração da

Rosalinda.


Manuela Monteiro
A flor da alegria
Porto, Campo das Letras, 2006