quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
Texto da semana...Ver Correr a Esperança...
De bruços sobre o
lavatório, abro a torneira, tapo o ralo, fico alguns momentos a ver correr a
esperança, que vai enchendo aos poucos a bacia. Depois fecho a torneira e,
retirando a tampa, vejo-a escoar-se em gorgolejos que cada vez são mais humanos
e mais fundos. É a respiração do ralo, que só então dou conta de que está
dentro de mim, por uma dessas distorções a que é costume eu ser atreito e que
me impede ainda de me ver no próprio espelho, que, apesar de se encontrar à
minha frente, não consigo deslocar do avesso dos meus olhos. Os meus
sentidos rangem, solidários com os canos, eles que eu gostaria de poder
assimilar ao mar, a um céu azul, desanuviado, e que jamais me dão do espírito
visões onde não se encastoem nuvens e rebentem tempestades.
Repito a operação.
Mergulho às vezes as mãos na minha esperança, mas retiro-as ao cabo de algum
tempo, antes que se transformem em raízes. Destapo uma vez mais o ralo. Assim
corre a amizade - penso, olhando o redemoinho -, assim correm os afectos, que,
depois de encherem a bacia onde a custo nos lavamos sem os fazermos
transbordar, se escoam sem regresso em direcção ao caos.
De bruços sobre o
lavatório, abro a torneira, tapo o ralo, fico alguns momentos a ver correr a
esperança, que vai enchendo aos poucos a bacia. Depois fecho a torneira e,
retirando a tampa, vejo-a escoar-se em gorgolejos que cada vez são mais humanos
e mais fundos. É a respiração do ralo, que só então dou conta de que está
dentro de mim, por uma dessas distorções a que é costume eu ser atreito e que
me impede ainda de me ver no próprio espelho, que, apesar de se encontrar à
minha frente, não consigo deslocar do avesso dos meus olhos. Os meus
sentidos rangem, solidários com os canos, eles que eu gostaria de poder
assimilar ao mar, a um céu azul, desanuviado, e que jamais me dão do espírito
visões onde não se encastoem nuvens e rebentem tempestades.
Repito a operação.
Mergulho às vezes as mãos na minha esperança, mas retiro-as ao cabo de algum
tempo, antes que se transformem em raízes. Destapo uma vez mais o ralo. Assim
corre a amizade - penso, olhando o redemoinho -, assim correm os afectos, que,
depois de encherem a bacia onde a custo nos lavamos sem os fazermos
transbordar, se escoam sem regresso em direcção ao caos.
Luís Miguel Nava, in 'O Céu Sob as Entranhas (Lembrança de A. Morin)'
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
Livro do mês de fevereiro
Mia Couto, pseudónimo de António
Emílio Leite Couto, nasceu a 5 de Julho de 1955 na Beira, cidade capital da província
de Sofala,
em Moçambique - África. Adotou o
nome, porque tinha uma paixão por gatos e porque o seu irmão não sabia
pronunciar o nome dele. Com catorze anos de idade, teve alguns poemas
publicados no jornal "Notícias da Beira" e três anos depois, em 1971, mudou-se
para a capital, Lourenço
Marques ( agora Maputo). Iniciou os estudos
universitários em medicina, mas abandonou esta
área no princípio do terceiro ano, passando a exercer a profissão de jornalista
depois do 25 de Abril de 1974. Trabalhou na Tribuna até à destruição das suas instalações
em Setembro de 1975, por colonos que se opunham à independência. Foi nomeado
diretor da Agência de Informação
de Moçambique (AIM) e trabalhou como diretor da revista Tempo até 1981, tendo continuado a carreira no jornal Notícias até 1985. Em 1983, publicou o seu
primeiro livro de poesia”, Raiz
de Orvalho”. Dois anos depois, demitiu-se do
cargo de diretor para continuar os estudos
universitários na área de biologia.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
Concurso de Leitura Expressiva VI
Aproxima-se o Concurso de Leitura Expressiva VI, que terá lugar nos dias 10(Português), 11(Francês) e 12(Inglês) de fevereiro, subordinado ao tema: O AMOR.
Estamos certos de que viveremos excelentes momentos de leitura de qualidade nas 3(três) línguas que se estudam no nosso Agrupamento, pelos alunos dos 3(três) ciclos de ensino.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
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