quarta-feira, 22 de abril de 2015

Dia mundial da terra..Se Eu Pudesse Trincar a Terra Toda...


Se eu pudesse trincar a terra toda 
E sentir-lhe um paladar, 
Seria mais feliz um momento ... 
Mas eu nem sempre quero ser feliz. 
É preciso ser de vez em quando infeliz 
Para se poder ser natural... 
Nem tudo é dias de sol, 
E a chuva, quando falta muito, pede-se. 
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade 
Naturalmente, como quem não estranha 
Que haja montanhas e planícies 
E que haja rochedos e erva ... 
O que é preciso é ser-se natural e calmo 
Na felicidade ou na infelicidade, 
Sentir como quem olha, 
Pensar como quem anda, 
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre, 
E que o poente é belo e é bela a noite que fica... 
Assim é e assim seja ... 


Alberto Caeiro

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Exposição a não perder....O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado vai mostrar cerca de 250 imagens na exposição "Génesis", dedicada à natureza, entre 08 de abril e 02 de agosto, no Torreão Nascente da Cordoaria Nacional, em Lisboa.






O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado vai mostrar cerca de 250 imagens na exposição "Génesis", dedicada à natureza, entre 08 de abril e 02 de agosto, no Torreão Nascente da Cordoaria Nacional, em Lisboa.
A exposição encontra-se em itinerância, e já passou pelo Brasil, depois de ter sido inaugurada no Museu de História Natural de Londres, em 2013.

As imagens captadas por Sebastião Salgado a preto e branco sobre pessoas e natureza, abordando tanto os flagelos da Humanidade como os lugares intocados pelo Homem, têm corrido mundo em livros e exposições.
"Génesis", realizado ao longo de quase uma década, é uma homenagem do fotógrafo à grandiosidade da natureza e ao mesmo tempo um alerta para a fragilidade da Terra, mostrando lugares quase intocados que a Humanidade pode perder se não tomar medidas para a preservar. 
As imagens, captadas em várias áreas geográficas, serão apresentadas nas secções "Sul do Planeta", "Santuários", "África", "Espaços a Norte" e "Amazónia e Pantanal". 


Poesia da semana...Nunca Conheci quem Tivesse Levado Porrada....











Nunca conheci quem tivesse levado porrada. 
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. 

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, 
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, 
Indesculpavelmente sujo, 
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, 
Eu que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, 
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, 
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante, 
Que tenho sofrido enxovalhos e calado, 
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda; 
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel, 
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes, 
Eu que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar, 
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado, 
Para fora da possiblidade do soco; 
Eu que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas, 
Eu que verifico que não tenho par nisto neste mundo. 

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo, 
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu um enxovalho, 
Nunca foi senão princípe - todos eles princípes - na vida... 

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana, 
Quem confessasse não um pecado, mas uma infâmia; 
Quem contasse, não uma violência, mas uma cobardia! 
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam. 
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil? 
Ó princípes, meus irmãos, 

Arre, estou farto de semideuses! 
Onde há gente no mundo? 

Então só eu que é vil e erróneo nesta terra? 

Poderão as mulheres não os terem amado, 
Podem ter sido traídos — mas ridículos nunca! 
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído, 
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear? 
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil, 
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza. 


Álvaro de Campos

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Concurso Nacional de Leitura 2014/15 - 2ª fase Distrital - Braga






        O Concurso Nacional de Leitura, na sua 9.ª edição, é uma iniciativa do Plano Nacional de Leitura, em parceria com a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), a Rede das Bibliotecas Escolares (RBE), o Instituto Camões - Instituto da Cooperação e da Língua e a Rádio Televisão Portuguesa, RTP.

           A 23 de abril de 2015 irá decorrer a partir das 12 horas na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, em Braga, a 2ª fase do Concurso Nacional de Leitura(CNL) 2014/15.

              Do Agrupamento de Escolas de Gondifelos foram apuradas as seguintes alunas para participar neste evento:

  •   Maria João Barbosa, 8º1,
  •   Vera Oliveira, 9º1,
  •    Maria Meira,9º2


Felicidades e uma boa participação!




quinta-feira, 9 de abril de 2015

6º Semana da Leitura ....













De dois a seis de março
Celebrou-se a Semana da Leitura
Com muitas actividades
Em eventos de cultura

A Semana da Leitura foi bonita a valer
Envolveu a comunidade
E começou com “ A Escola a ler”


Subordinado ao tema
“Palavras do Mundo” inteiro
Prosseguimos o nosso lema
Com palavras portuguesas e do estrangeiro


                                               Todas as turmas visitaram
A nossa Feira do Livro
Acompanhados pelos professores
Adquiriram um novo amigo

Houve Jornadas das Línguas,
Encontro com escritores
Abertura à comunidade
E prémios aos vencedores

Com “Famalicão a Ler”
Em horários matinais
Leram os nossos alunos
Poemas na Rádio Mais

Os livros são histórias
Histórias são vida
Quanto mais livros leres
A tua cultura fica mais enriquecida

.  


Profª Rosa Dias, Profª Isabel Gouveia e Ana Sofia Silva, 9º2

O sal da terra ..documentário sobre a obra do fotógrafo Sebastião Salgado..










quarta-feira, 8 de abril de 2015

Texto da semana...Este Não-Futuro que a Gente Vive...

Será que nos resta muito depois disto tudo, destes dias assim, deste não-futuro que a gente vive? (...) Bom, tudo seria mais fácil se eu tivesse um curso, um motorista a conduzir o meu carro, e usasse gravatas sempre. Às vezes uso, mas é diferente usar uma gravata no pescoço e usá-la na cabeça. Tudo aconteceu a partir do momento em que eu perdi a noção dos valores. Todos os valores se me gastaram, mesmo à minha frente. O dinheiro gasta-se, o corpo gasta-se. A memória. (...) Não me atrai ser banqueiro, ter dinheiro. Há pessoas diferentes. Atrai-me o outro lado da vida, o outro lado do mar, alguma coisa perfeita, um dia que tenha uma manhã com muito orvalho, restos de geada… De resto, não tenho grandes projectos. Acho que o planeta está perdido e que, provavelmente, a hipótese de António José Saraiva está certa: é melhor que isto se estrague mais um bocadinho, para ver se as pessoas têm mais tempo para olhar para os outros.

Al Berto