quinta-feira, 21 de maio de 2015

Nada é Prémio: Sucede o que Acontece..




A cada qual, como a estatura, é dada 
A justiça: uns faz altos 
O fado, outros felizes. 

Nada é prêmio: sucede o que acontece. 
Nada, Lídia, devemos 
Ao fado, senão tê-lo. 


Ricardo Reis, in "Odes" 

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Portugal profundo...olhares...





Momento de poesia...A Procura da Sabedoria


Era uma vez uma pessoa que procurava a sabedoria. Tinham-lhe dito que para a atingir tinha sempre de aceitar e recusar ao mesmo tempo tudo o que lhe fosse oferecido, dito ou mostrado. Quando perguntava por onde era o melhor caminho e lhe diziam «é por ali» ela devia seguir imediatamente nesse sentido e depois no sentido contrário. Tendo assim percorrido todas as direcções indicadas e as não indicadas, sem mais caminhos a percorrer, sentou-se no chão e começou a chorar. Sem saber, tinha chegado. 
Ana Hatherly, in 'Tisanas

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Livro do mês de maio






José Eduardo Agualusa Alves da Cunha nasceu na cidade do Huambo, em Angola, a 13 de dezembro de 1960. Estudou Agronomia e Silvicultura em Lisboa, mas a chama da escrita crescia no seu interior e, depressa se dedicou ao jornalismo e à escrita. 
A partir da década de noventa, dedicou – se intensamente à literatura, altura em que foi considerado um dos escritores da nova literatura africana, tanto no romance como no conto e poesia, em língua portuguesa, e um dos autores mais importantes surgidos em Angola. Viveu em Lisboa, Luanda e Berlim. Atualmente reside no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro.
É autor dos livros A Conjura (romance, 1988), Prémio Revelação Sonangol; A Feira dos Assombrados (contos, 1992); Estação das Chuvas (romance, 1996); Nação Crioula (romance, 1998), Grande Prémio de Literatura RTP; Fronteiras Perdidas (contos, 1999), Grande Prémio de Conto da APE; A Substância do Amor e Outras Crónicas (crónica, 2000); Estranhões e Bizarrocos (infantil, 2000), Prémio Nacional de Ilustração (Henrique Cayatte) e Grande Prémio de Literatura para Crianças da Fundação Calouste Gulbenkian; Um Estranho em Goa (romance, 2000); O Ano Que Zumbi Tomou o Rio (romance, 2002);O Homem Que Parecia Um Domingo (contos, 2002); Catálogo de Sombras (contos, 2003) e O Vendedor de Passados (romance, 2004), entre outros. É membro da União de Escritores Angolanos.
 As suas obras estão traduzidas em diversas línguas europeias.   



quarta-feira, 6 de maio de 2015

Frase do mês.













Lembra-te de esquecer.
Emmanuel Kant

Momento de poesia....Jornal, longe..



















Que faremos destes jornais, com telegramas, notícias, 
anúncios, fotografias, opiniões...? 

Caem as folhas secas sobre os longos relatos de guerra: 
e o sol empalidece suas letras infinitas. 

Que faremos destes jornais, longe do mundo e dos homens? 
Este recado de loucura perde o sentido entre a terra e o céu. 

De dia, lemos na flor que nasce e na abelha que voa; 
de noite, nas grandes estrelas, e no aroma do campo serenado. 

Aqui, toda a vizinhança proclama convicta: 
"Os jornais servem para fazer embrulhos". 

E é uma das raras vezes em que todos estão de acordo. 

Cecília Meireles, in 'Mar Absoluto

terça-feira, 28 de abril de 2015

1 de Maio - história do dia do trabalhador...1 de Maio de 1974...









História do dia do trabalhador
No dia 1º de Maio de 1886, 500 mil trabalhadores saíram às ruas de Chicago, nos Estados Unidos, em manifestação pacífica, exigindo a redução da jornada para oito horas de trabalho. A polícia reprimiu a manifestação, dispersando a concentração, depois de ferir e matar dezenas de operários.

Mas os trabalhadores não se deixaram abater, todos achavam que eram demais as horas diárias de trabalho, por isso, no dia 5 de Maio de 1886, quatro dias depois da reivindicação de Chicago, os operários voltaram às ruas e foram novamente reprimidos: 8 líderes presos, 4 trabalhadores executados e 3 condenados a prisão perpétua.
Foi este o resultado desta segunda manifestação.
A luta não parou e a solidariedade internacional pressionou o governo americano a anular o falso julgamento e a elaborar novo júri, em 1888. Os membros que constituíam o júri reconheceram a inocência dos trabalhadores, culparam o Estado americano e ordenaram que soltassem os 3 presos.
Em 1889 o Congresso Operário Internacional, reunido em Paris, decretou o 1º de Maio, como o Dia Internacional dos Trabalhadores, um dia de luto e de luta. E, em 1890, os trabalhadores americanos conquistaram a jornada de trabalho de oito horas.
116 anos depois das grandiosas manifestações dos operários de Chicago pela luta das oito horas de trabalho e da brutal repressão patronal e policial que se abateu sobre os manifestantes, o 1º de Maio mantém todo o seu significado e actualidade.
Nos Estados Unidos da América o Dia do Trabalhador celebra-se no dia 3 de Setembro e é conhecido por "Labor Day". É um feriado nacional que é sempre comemorado na primeira segunda-feira do mês de Setembro e está relacionado com o período das colheitas e com o fim do Verão.
No Canadá este feriado chama-se "Dia de Oito Horas". Tem este nome porque se comemora a vitória da redução do dia de trabalho para oito horas.
Na Europa o "Dia do Trabalhador" comemora-se sempre no dia 1 de Maio.