quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Livro do mês....


                                                                





                                                                Sam McBratney -Biografia


Nasceu na Irlanda, onde vive com a sua família.
Durante muitos anos foi professor e foi nesta altura que começou a escrever para ajudar os seus alunos na leitura. Contudo, continuou a escrever, segundo ele próprio, por uma razão mais pessoal, porque  “ o ato de imaginar fazia-me sentir bem”.
Afirma que quando escreve uma história infantil tenta pensar no que as crianças gostariam, mas também já escreveu para adultos.
Sam McBratney publicou dezenas de livros, mas aquele pelo qual ele é mais conhecido é o livro nº 57, que agora é um clássico, intitulado: “ Adivinha  Quanto Eu Gosto de Ti”. 

 A história da Pequena Lebra Castanha e da Grande Lebre Castanha passou a vender mais de 28 milhões de cópias em todo o mundo,  em 50 línguas.








A Pequena Lebre Castanha adora brincar ao vento do Outono - especialmente quando ele lhe traz uma grande surpresa.

Dos criadores de Adivinha Quanto Eu Gosto de Ti, quatro histórias encantadoras, perfeitas para partilhar com os seus filhos!

                         


Desafio:

                     Imagina que havia mesmo um monstro na caixa castanha.
                    Desenha-o.




























                










Nota: o melhor desenho será recompensado.




Texto da semana...Escrever é Esquecer..de Fernando Pessoa..








Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e o representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.


 Fernando Pessoa, in 'Livro do Desassossego'

Queda do Muro de Berlim ... fez 25 anos


quarta-feira, 30 de setembro de 2015

MÁRCIA - A INSATISFAÇÃO..




A Insatisfação


Escrita fina
quando corre ensina
não dura um deserto que atravesse
Pode ir sendo
que demore um tempo
mais tarde ou mais cedo
lá me acerto

Na lembrança
o meu céu de criança
a quem nunca se entrega um tom cinzento
por momentos
vem num pensamento
e uma nuvem chove cá por dentro

Quase nada
(experimento o céu de negro que há de norte a sul
nunca me conforma
(prometo-me a mim mesma mais de céu azul)
a insatisfação
(temo que haja pouco pra me contentar)
nunca me abandona
(mas nada me impede de tentar)

Porque tento
andar atrás no tempo
e entender a chuva que acontece?
Como por magia
há sempre um novo dia
e outra Lua Nova que anoitece
Se a madrugada traz uma canção
pouco importa que me insista hoje em "dia não"
tomei o meu fastidio pra me atormentar
pedras no meu trilho são pra me assentar

Quase nada
(experimento o céu de negro que há de norte a sul
nunca me conforma
(prometo-me a mim mesma mais de céu azul)
a insatisfação
(temo que haja pouco pra me contentar)
nunca me abandona
(mas nada me impede de tentar)

Mesmo transformando em nosso o que era meu
se és a sorte do caminho que a vida escolheu
Canta que me afina, faz-nos avançar
premeia-me o destino por te ver dançar

Quando acordar do sono que eu escolhi
quero ter no meu cantinho sempre mais de ti
cada rosa, cada espinho que tanto cresceu
mesmo quando venham pra nublar-me o céu.


Quase nada
(experimento o céu de negro que há de norte a sul
nunca me conforma
(prometo-me a mim mesma mais de céu azul)
a insatisfação
(temo que haja pouco pra me contentar)
nunca me abandona
(mas nada me impede de tentar)


MÚSICA E LETRA - Márcia

Ler é aprender ,conhecer ,sonhar, imaginar .......






A Única Alegria Neste Mundo é a de Começar..A infância é a actividade máxima, porque está ocupada em descobrir o mundo na sua diversidade. Bom ano ano lectivo e boas leituras...


A única alegria neste mundo é a de começar. É belo viver, porque viver é começar, sempre, a cada instante. 
 O ócio torna lentas as horas e velozes os anos. A actividade torna rápida as horas e lentos os anos. A infância é a actividade máxima, porque ocupada em descobrir o mundo na sua diversidade.
Os anos tornam-se longos na recordação se, ao repensá-los, encontramos numerosos factos a desenvolver pela fantasia. Por isso, a infância parece longuíssima. Provavelmente, cada época da vida é multiplicada pelas sucessivas reflexões das que se lhe seguem: a mais curta é a velhice, porque nunca será repensada.
Cada coisa que nos aconteceu é uma riqueza inesgotável: todo o regresso a ela a aumenta e acresce, dota de relações e aprofunda. A infância não é apenas a infância vivida, mas a ideia que fazemos dela na juventude, na maturidade, etc. Por isso, parece a época mais importante, visto ser a mais enriquecida por considerações sucessivas.
Os anos são uma unidade da recordação; as horas e os dias, uma unidade da experiência.

Cesare Pavese, in 'O Ofício de Viver'

terça-feira, 2 de junho de 2015

Poesia da semana.....No Entardecer dos Dias de Verão.....














No entardecer dos dias de Verão, às vezes, 
Ainda que não haja brisa nenhuma, parece 
Que passa, um momento, uma leve brisa... 
Mas as árvores permanecem imóveis 
Em todas as folhas das suas folhas 
E os nossos sentidos tiveram uma ilusão, 
Tiveram a ilusão do que lhes agradaria... 
Ah, os sentidos, os doentes que vêem e ouvem! 
Fôssemos nós como devíamos ser 
E não haveria em nós necessidade de ilusão ... 
Bastar-nos-ia sentir com clareza e vida 
E nem repararmos para que há sentidos ... 
Mas graças a Deus que há imperfeição no Mundo 
Porque a imperfeição é uma cousa, 
E haver gente que erra é original, 
E haver gente doente torna o Mundo engraçado. 
Se não houvesse imperfeição, havia uma cousa a menos, 
E deve haver muita cousa 
Para termos muito que ver e ouvir ... 


Alberto Caeiro,