segunda-feira, 3 de abril de 2017

Livro do mês de abril




    

Matilde Rosa Araújo,
 nasceu a 20 de Junho de 1921, em Lisboa, na quinta dos avós. Os seus estudos, até completar o liceu, foram feitos em casa com professores. Talvez por isso quando se formou, optou por ser professora, para estar sempre perto das crianças. Licenciou-se em Filologia Romântica pela faculdade de letra da Universidade Clássica Lisboa. Foi professora do ensino técnico profissional e foi professora do primeiro curso de literatura para a infância. Teve ainda uma apurada formação musical, com a frequência do Curso Superior do Conservatório da mesma cidade.

   Escreveu contos e poesia para o mundo adulto e mais de duas dezenas de livros de contos e poesia para crianças. Pertenceu a organizações como o Comité Português da UNICEF, o Instituto de Apoio à Criança ou a Sociedade Portuguesa de Escritores. Mesmo depois de se ter aposentado do ensino continuou a manter contacto com as crianças, através de visitas e colóquios em escolas e bibliotecas.


Foi premiada pela Fundação Calouste Gulbenkian com o Grande Prémio de Literatura para Criança em 1980, foi também distinguida pela Associação Paulista de Críticos de Arte de São Paulo pelo seu livro O Palhaço Verde, em 1991. E em 1996 é premiada novamente pela Fundação Calouste Gulbenkian com o prémio de melhor livro para a infância, com o livro de poemas Fadas Verdes. Em Maio de 2004 foi distinguida com o Prémio Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores.
            Faleceu aos 89 anos.


terça-feira, 28 de março de 2017






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Sugestão de leitura...

O coelhinho que não era de Páscoa


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http://www.aprenderebrincar.com/2016/03/livro-o-coelhinho-que-nao-era-de-pascoa.html

Texto da semana...Os Dois Horizontes


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Dois horizontes fecham nossa vida: 


          Um horizonte, — a saudade 
          Do que não há de voltar; 
          Outro horizonte, — a esperança 
          Dos tempos que hão de chegar; 
          No presente, — sempre escuro,— 
          Vive a alma ambiciosa 
          Na ilusão voluptuosa 
          Do passado e do futuro. 

          Os doces brincos da infância 
          Sob as asas maternais, 
          O vôo das andorinhas, 
          A onda viva e os rosais; 
          O gozo do amor, sonhado 
          Num olhar profundo e ardente, 
          Tal é na hora presente 
          O horizonte do passado. 

          Ou ambição de grandeza 
          Que no espírito calou, 
          Desejo de amor sincero 
          Que o coração não gozou; 
          Ou um viver calmo e puro 
          À alma convalescente, 
          Tal é na hora presente 
          O horizonte do futuro. 

          No breve correr dos dias 
          Sob o azul do céu, — tais são 
          Limites no mar da vida: 
          Saudade ou aspiração; 
          Ao nosso espírito ardente, 
          Na avidez do bem sonhado, 
          Nunca o presente é passado, 
          Nunca o futuro é presente. 

          Que cismas, homem? – Perdido 
          No mar das recordações, 
          Escuto um eco sentido 
          Das passadas ilusões. 
          Que buscas, homem? – Procuro, 
          Através da imensidade, 
          Ler a doce realidade 
          Das ilusões do futuro. 
          
          Dois horizontes fecham nossa vida. 

Machado de Assis, in 'Crisálidas' 

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