Biblioteca do Agrupamento de Escolas de Gondifelos - Vila Nova de Famalicão
O teu espaço de aprendizagem e leituras onde encontras tudo o que procuras
terça-feira, 14 de abril de 2026
Texto da semana:Há Palavras que Nos Beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca'
segunda-feira, 13 de abril de 2026
PALAVRA DA SEMANA
- Latim: Deriva especificamente de basium. Outro termo latino relacionado é osculum (boca pequena), que deu origem a "ósculo".
- Significado: Define-se como o toque dos lábios em outra pessoa ou objeto, muitas vezes como cumprimento ou demonstração de carinho.
- Evolução: Diferente do savium (beijo de língua) dos romanos, o basium tornou-se a raiz para a palavra comum.
- Origem do Comportamento: Estudos antropológicos sugerem que o beijo moderno evoluiu de rituais de higiene e alimentação boca-a-boca entre primatas
.
AEG na “Bienal E Em Vez Do Medo?”
Ao
longo da Bienal, os visitantes tiveram ainda a oportunidade de contactar com
diversas expressões artísticas — desde teatro, cinema e oficinas criativas até
debates e encontros com artistas — promovendo uma aprendizagem interdisciplinar
e significativa.
Este
evento reuniu escolas e instituições de vários concelhos da região,
afirmando-se como um espaço de encontro entre educação e cultura.
A
participação do Agrupamento de Escolas de Gondifelos reforça, assim, o seu
compromisso com uma educação ativa e consciente, que valoriza o contacto direto
com iniciativas culturais e promove o desenvolvimento de cidadãos críticos,
informados e participativos.
Carla
Castelo Branco
segunda-feira, 30 de março de 2026
Texto da semana:Não são as Circunstâncias que Decidem a Nossa Vida.
Mas agora é preciso completar o diagnóstico. A vida, que é, antes de tudo, o que podemos ser, vida possível, é também, e por isso mesmo, decidir entre as possibilidades o que em efeito vamos ser. Circunstâncias e decisão são os dois elementos radicais de que se compõe a vida. A circunstância – as possibilidades – é o que da nossa vida nos é dado e imposto. Isso constitui o que chamamos o mundo. A vida não elege o seu mundo, mas viver é encontrar-se, imediatamente, em um mundo determinado e insubstituível: neste de agora. O nosso mundo é a dimensão de fatalidade que integra a nossa vida.
Mas esta fatalidade vital não se parece à mecânica. Não somos arremessados para a existência como a bala de um fuzil, cuja trajectória está absolutamente pré-determinada. A fatalidade em que caímos ao cair neste mundo – o mundo é sempre este, este de agora – consiste em todo o contrário. Em vez de impor-nos uma trajetória, impõe-nos várias e, consequentemente, força-nos... a eleger. Surpreendente condição a da nossa vida! Viver é sentir-se fatalmente forçado a exercitar a liberdade, a decidir o que vamos ser neste mundo. Nem mum só instante se deixa descansar a nossa actividade de decisão. Inclusivé quando desesperados nos abandonamos ao que queira vir, decidimos não decidir.
É, pois, falso dizer que na vida «decidem as circunstâncias». Pelo contrário: as circunstâncias são o dilema, sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.
Ortega y Gasset, in 'A Rebelião das Massas'



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