terça-feira, 14 de abril de 2026

Ala Dos Namorados - Solta-se O Beijo (Ao Vivo no S.Luiz em 2004)


 

Texto da semana:Há Palavras que Nos Beijam

 





Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca'

segunda-feira, 13 de abril de 2026

PALAVRA DA SEMANA

 




A palavra "beijo" tem origem no latim basium, termo que descreve o toque dos lábios, geralmente associado a afeto, respeito ou admiração. Evoluiu foneticamente, passando por formas intermédias até chegar ao português atual, referindo-se ao gesto de carinho.
Aqui estão os detalhes etimológicos e contextuais:
  • Latim: Deriva especificamente de basium. Outro termo latino relacionado é osculum (boca pequena), que deu origem a "ósculo".
  • Significado: Define-se como o toque dos lábios em outra pessoa ou objeto, muitas vezes como cumprimento ou demonstração de carinho.
  • Evolução: Diferente do savium (beijo de língua) dos romanos, o basium tornou-se a raiz para a palavra comum.
  • Origem do Comportamento: Estudos antropológicos sugerem que o beijo moderno evoluiu de rituais de higiene e alimentação boca-a-boca entre primatas

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AEG na “Bienal E Em Vez Do Medo?”

 




Agrupamento de Escolas de Gondifelos participou ativamente na Bienal E em Vez do Medo, que decorreu no Teatro Municipal de Vila do Conde, entre os dias 20 de março e 1 de abril de 2026, integrando um vasto programa dedicado à arte, à memória e à reflexão cívica.

A presença do Agrupamento destacou-se através da sua participação na exposição de trabalhos de ilustração do edifício escolar, recriação de obras de arte famosas e criação de ilustrações recorrendo à inteligência artificial

 O Agrupamento esteve igualmente presente no dia 26 de março, com a intervenção de algumas alunas que realizaram Leituras Fugidias no acolhimento aos visitantes, com recurso a excertos da obra O Principezinho, de Saint-Exupéry.  Nesse dia, estiveram também envolvidas seis alunas do AEG e que integram o Grupo de Teatro Juvenil da Fértil Cultural.






   Ao longo da Bienal, os visitantes tiveram ainda a oportunidade de contactar com diversas expressões artísticas — desde teatro, cinema e oficinas criativas até debates e encontros com artistas — promovendo uma aprendizagem interdisciplinar e significativa.

Este evento reuniu escolas e instituições de vários concelhos da região, afirmando-se como um espaço de encontro entre educação e cultura.

A participação do Agrupamento de Escolas de Gondifelos reforça, assim, o seu compromisso com uma educação ativa e consciente, que valoriza o contacto direto com iniciativas culturais e promove o desenvolvimento de cidadãos críticos, informados e participativos.

 

                                                                                                 Carla Castelo Branco




A ESCOLA A LER - 5 MINUTOS DE LEITURA

 

segunda-feira, 30 de março de 2026

Chegou a primavera-música da semana:The Stranglers - Always The Sun.


 

Texto da semana:Não são as Circunstâncias que Decidem a Nossa Vida.

 



A nossa vida, como repertório de possibilidades, é magnífica, exuberante, superior a todas as históricamente conhecidas. Mas assim como o seu formato é maior, transbordou todos os caminhos, princípios, normas e ideais legados pela tradição. É mais vida que todas as vidas, e por isso mesmo mais problemática. Não pode orientar-se no pretérito. Tem de inventar o seu próprio destino.

Mas agora é preciso completar o diagnóstico. A vida, que é, antes de tudo, o que podemos ser, vida possível, é também, e por isso mesmo, decidir entre as possibilidades o que em efeito vamos ser. Circunstâncias e decisão são os dois elementos radicais de que se compõe a vida. A circunstância – as possibilidades – é o que da nossa vida nos é dado e imposto. Isso constitui o que chamamos o mundo. A vida não elege o seu mundo, mas viver é encontrar-se, imediatamente, em um mundo determinado e insubstituível: neste de agora. O nosso mundo é a dimensão de fatalidade que integra a nossa vida.
Mas esta fatalidade vital não se parece à mecânica. Não somos arremessados para a existência como a bala de um fuzil, cuja trajectória está absolutamente pré-determinada. A fatalidade em que caímos ao cair neste mundo – o mundo é sempre este, este de agora – consiste em todo o contrário. Em vez de impor-nos uma trajetória, impõe-nos várias e, consequentemente, força-nos... a eleger. Surpreendente condição a da nossa vida! Viver é sentir-se fatalmente forçado a exercitar a liberdade, a decidir o que vamos ser neste mundo. Nem mum só instante se deixa descansar a nossa actividade de decisão. Inclusivé quando desesperados nos abandonamos ao que queira vir, decidimos não decidir.

É, pois, falso dizer que na vida «decidem as circunstâncias». Pelo contrário: as circunstâncias são o dilema, sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.

Ortega y Gasset, in 'A Rebelião das Massas'