Biblioteca do Agrupamento de Escolas de Gondifelos - Vila Nova de Famalicão
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quarta-feira, 7 de outubro de 2026
O clube dos poetas mortos-Carpe diem
Dia mundial do Professor-5 de outubro
Os Professores
O material que é trabalhado pelos professores não pode ser quantificado. Não há números ou casas decimais com suficiente precisão para medi-lo. A falta de quantificação não é culpa dos assuntos inquantificáveis, é culpa do nosso desejo de quantificar tudo. Os professores não vendem o material que trabalham, oferecem-no. Nós, com o tempo, com os anos, com a distância entre nós e nós, somos levados a acreditar que aquilo que os professores nos deram nos pertenceu desde sempre. Mais do que acharmos que esse material é nosso, achamos que nós próprios somos esse material. Por ironia ou capricho, é nesse momento que o trabalho dos professores se efetiva. O trabalho dos professores é a generosidade.
Basta um esforço mínimo da memória, basta um plim pequenino de gratidão para nos apercebermos do quanto devemos aos professores. Devemos-lhes muito daquilo que somos, devemos-lhes muito de tudo. Há algo de definitivo e eterno nessa missão, nesse verbo que é transmitido de geração em geração, ensinado. Com as suas pastas de professores, os seus blazers, os seus Ford Fiesta com cadeirinha para os filhos no banco de trás, os professores de hoje são iguais de ontem. O ato que praticam é igual ao que foi exercido por outros professores, com outros penteados, que existiram há séculos ou há décadas. O conhecimento que enche as páginas dos manuais aumentou e mudou, mas a essência daquilo que os professores fazem mantém-se. Essência, essa palavra que os professores recordam ciclicamente, essa mesma palavra que tendemos a esquecer.
Um ataque contra os professores é sempre um ataque contra nós próprios, contra o nosso futuro. Resistindo, os professores, pela sua prática, são os guardiões da esperança. Vemo-los a dar forma e sentido à esperança de crianças e de jovens, aceitamos essa evidência, mas falhamos perceber que são também eles que mantêm viva a esperança de que todos necessitamos para existir, para respirar, para estarmos vivos. Ai da sociedade que perdeu a esperança. Quem não tem esperança não está vivo. Mesmo que ainda respire, já morreu.
Envergonhem-se aqueles que dizem ter perdido a esperança. Envergonhem-se aqueles que dizem que não vale a pena lutar. Quando as dificuldades são maiores é quando o esforço para ultrapassá-las deve ser mais intenso. Sabemos que estamos aqui, o sangue atravessa-nos o corpo. Nascemos num dia em que quase nos pareceu ter nascido o mundo inteiro. Temos a graça de uma voz, podemos usá-la para exprimir todo o entendimento do que significa estar aqui, nesta posição.
Em anos de aulas teóricas, aulas práticas, no laboratório, no ginásio, em visitas de estudo, sumários escritos no quadro no início da aula, os professores ensinaram-nos que existe vida para lá das certezas rígidas, opacas, que nos queiram apresentar. Se desligarmos a televisão por um instante, chegaremos facilmente à conclusão que, como nas aulas de matemática ou de filosofia, não há problemas que disponham de uma única solução. Da mesma maneira, não há fatalidades que não possam ser questionadas. É ao fazê-lo que se pensa e se encontra soluções.
Recusar a educação é recusar o desenvolvimento.
Se nos conseguirem convencer a desistir de deixar um mundo melhor do que aquele que encontrámos, o erro não será tanto daqueles que forem capazes de nos roubar uma aspiração tão fundamental, o erro primeiro será nosso por termos deixado que nos roubem a capacidade de sonhar, a ambição, metade da humanidade que recebemos dos nossos pais e dos nossos avós. Mas espero que não, acredito que não, não esquecemos a lição que aprendemos e que continuamos a aprender todos os dias com os professores. Tenho esperança.
José Luís Peixoto, in 'Visão (Revista)'
terça-feira, 6 de outubro de 2026
PALAVRA DA SEMANA
- O termo nasce do verbo latino profiteri, que significa «professar», ou seja, declarar publicamente ou afirmar algo perante todos.
- A palavra é formada pela união do prefixo pro- («à frente») com fateri («reconhecer» ou «confessar»).
- Historicamente, refere-se à pessoa que se declara apta a ensinar ou a cultivar uma arte.
- Partilha da mesma raiz etimológica da palavra profissão, pois o professor é aquele que professa um saber de forma pública.
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
ESCRITA CRIATIVA NO DIA MUNDIAL DA MÚSICA
Numa aula de apoio de Português de 9º ano, os alunos foram desafiados elaborar um poema com versos ao estilo de Lobo Antunes, no intervalo do Hóquei.
Eis alguns exemplos de poemas saídos do coração e a da imaginação dos nossos alunos e professores:
Elogio do
teu cachorro
Volta para mim
Vê que existo
Sinto-me sozinho
Brinca comigo
Sou um pequeno ser vivo
a espera do seu humano
Lembra do teu pequenino
Aquele que vive contigo
Volta para mim
Vê que existo
Fico aqui
À tua espera
Só para ver se te sirvo
Enfim...chegaste
Todo o sofrimento acabou
Porque o meu humano...
Finamente chegou
Elogio do
sorriso
Custa menos ser inteligente
Do que desinteligente
(fazer parvoíces)
Um gajo inteligente sorri
Um gajo inteligente ama e é amado
Um gajo inteligente avança
Serafim Faria
Elogio
à música
A leveza da melodia
Que o Sol e Dó oferece
Alimenta cada dia
E a tristeza desaparece
A música é alimento da alma
A música engrandece o ser
A música motiva e acalma
A música ajuda a viver
Rosa Dias
Elogio da música
O som é incrível
Mas é mais ainda
Quando o sentes
A música é a vida de um cantor
Mas se quiseres
Pode ser a tua vida
Letícia 9º1






