sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Texto da semana : Não há Sabedoria sem Esforço

 


Certos vícios, temos o hábito de atribuí-los aos condicionalismos do lugar e do tempo, mas o certo é que, para onde quer que vamos, esses vícios nos acompanham. (...) Para quê iludirmo-nos? O nosso mal não vem do exterior, está dentro de nós, enraizado nas nossas vísceras, e, como ignoramos o mal de que sofremos, só com dificuldade recuperamos a saúde. E mesmo que já tenhamos iniciado o tratamento, quando nos será possível levar de vencida a enorme virulência de tão numerosas enfermidades? Nem sequer solicitamos a presença do médico, quando afinal é mais fácil tratar uma doença ainda no início. Almas ainda frescas e inexperientes obedecem sem tardar a quem lhes indique o justo caminho. Só é difícil reconduzir à via da natureza quem deliberadamente dela se apartou. Parece que temos vergonha de aprender a sabedoria! Pelos deuses, se acharmos que é vergonhoso buscar um mestre, então podemos perder a esperança de obter as vantagens da sabedoria por obra do acaso. A sabedoria só se obtém pelo esforço.
Para dizer a verdade, nem sequer é necessário grande esforço se, como disse, começarmos a formar e a corrigir a nossa alma antes que as más tendências cristalizem. Mas mesmo já empedernidas, nem assim eu desespero: com esforço persistente, com cuidados aturados e intensos, todas as más tendências serão vencidas. Podemos aprumar toros de madeira, por muito tortos que estejam; por meio de calor é possível endireitar pranchas curvas e adaptar a sua forma natural às nossas conveniências. Com muito mais facilidade se pode dar forma à alma, essa entidade flexível, mais maleável que qualquer líquido. De facto o que é a alma senão uma espécie de sopro dotado de certa consistência? Ora tu podes observar como o ar é mais elástico que as outras espécies de matéria por ser a mais subtil. Não há, pois, Lucílio, motivo para desesperares de nós pelo facto de a maldade nos dominar, nos possuir mesmo há tanto tempo: ninguém atingiu a sabedoria sem primeiro passar pela insensatez! Todos temos o inimigo dentro de casa: aprender as virtudes equivale a desaprender os vícios. Com tanto maior vontade nos devemos aplicar a emendar-nos: uma vez aprendidos, os bens da sabedoria permacem para sempre na nossa posse. A virtude nunca se esquece.
As plantas crescem com dificuldade num solo inadequado, e por isso será fácil arrancá-las, eliminá-las; mas colocadas num terreno apropriado ganham raízes firmes. A virtude está de acordo com a natureza; os vícios, esses, são como plantas daninhas e nocivas. As virtudes adquiridas não podem ser extirpadas, é com facilidade que as podemos conservar; adquiri-las, contudo, é tarefa árdua, portanto é próprio de um espírito fraco e doente recear experiências desconhecidas. Obriguemos, portanto, esse espírito a dar os primeiros passos. Passada esta fase o tratamento deixa de amargar e torna-se mesmo, enquanto se processa a cura, uma fonte de prazer. Com os remédios do corpo o prazer só chega depois da cura; a filosofia, pelo contrário, é salutar e saborosa simultaneamente.

Séneca, in 'Cartas a Lucílio'





quinta-feira, 5 de novembro de 2026

A ESCOLA A LER - 5 MINUTOS DE LEITURA

 

O ARTISTA DO MÊS

 


CONCURSO DE LEITURA EXPRESSIVA

 





                                    Participa! 






PINTURAS ESCOLHAS DE HENRIQUE POUSÃO


O naturalismo é um movimento artístico e literário conhecido por ser a radicalização do realismo, baseando-se na observação fiel da realidade e na experiência, mostrando que o indivíduo é determinado pelo ambiente e pela hereditariedade. A escola esboçou o que se pode declarar como os primeiros passos do pensamento teórico evolucionista de Charles Darwin.

O naturalismo filosófico como forma de conceber o universo constitui um dos pilares da ciência moderna, sendo alvo de considerações também de ordem filosófica.

O Naturalismo surgiu no século XIX, num período marcado por grandes transformações sociais, científicas e culturais. A Revolução Industrial, o avanço das ciências naturais e a consolidação do positivismo criaram um ambiente propício para novas formas de compreender a realidade. A literatura, que já se vinha a afastar-se do romantismo, encontrou no Realismo uma maneira mais objetiva de retratar o quotidiano. No entanto, o Naturalismo foi além: inspirado pelas teorias de Charles Darwin, com a evolução das espécies, e de Hippolyte Taine, com o determinismo, passou a considerar o ser humano como resultado de fatores biológicos, sociais e hereditários. Assim, a literatura naturalista aproximava-se da ciência, descrevendo personagens como se fossem objetos de estudo. Essa corrente literária nasceu em França, com destaque para Émile Zola, considerado o seu principal teórico e romancista. Em obras como Germinal e Naná, Zola aplicou o método experimental à literatura, retratando com rigor e objetividade as condições de vida das classes populares e os vícios da sociedade burguesa. O movimento espalhou-se pela Europa e chegou à América, adaptando-se às particularidades locais. No Brasil, floresceu principalmente a partir da década de 1880, quando escritores como Aluísio Azevedo, Raul Pompeia e Adolfo Caminha aplicaram os princípios naturalistas para representar os dilemas sociais do país. O Naturalismo, portanto, consolidou-se como uma estética literária fortemente vinculada à ciência e ao desejo de compreender o homem em sua totalidade.


O ARTISTA DO MÊS

 

terça-feira, 3 de novembro de 2026

VOLUNTARIADO DA LEITURA NO AEG

 


No passado dia 8 de outubro, no decorrer do Mês Internacional da Biblioteca Escolar,  a magia dos livros e das histórias voltou a ganhar uma nova vida nas turmas do 1ºciclo da Escola Básica 1, 2, 3 de Gondifelos, com a generosa colaboração e disponibilidade da professora aposentada, Fátima Maia.

Assim, teve início mais uma edição do Voluntariado da Leitura, uma iniciativa em articulação com a Biblioteca Escolar,  que promete continuar a implementar o prazer de ler, a fluência leitora e a compreensão oral através do afeto e da partilha.

É excelente verificar a continuidade e a expansão desta atividade, não só pela capitalização do sucesso do ano letivo anterior, mas também uma oportunidade de ouro para os alunos das novas turmas – 1ºG1, 1ºG2 e 3ºG – criarem uma relação afetiva com os livros no seu quotidiano.

As sessões ganham vida todas as quintas-feiras de manhã, transformando o início do dia num momento de descoberta literária. Longe de ser uma leitura convencional, cada sessão é desenhada para ser dinâmica e interativa, englobando:

  •  Análise de aspetos paratextuais - desafiando os alunos a explorar as capas, as ilustrações, os títulos e as badanas dos livros, ensinando-os a "ler" e a antecipar a história antes mesmo de abrir a primeira página.
  • Leitura em voz alta e leituras dramatizadas - onde as personagens ganham vozes próprias e as histórias saltam das páginas através da expressividade.
  • Proposta de realização de pequenos trabalhos práticos, ao longo da semana, que aliam a escrita e o desenho. Através de ilustrações das suas personagens favoritas, da recriação de capas ou da escrita d
    as primeiras palavras
    e frases sobre os livros, os alunos dão asas à imaginação e registam o seu próprio percurso neste mundo encantado da leitura.

E porque ler é sempre um prazer e uma nova oportunidade de aprender, vamos continuar a investir na leitura e na vontade de crescer.