terça-feira, 3 de março de 2026

A ESCOLA A LER - 5 MINUTOS DE LEITURA

 

Livro do mês


 

Música da semana:Nick Cave & The Bad Seeds - O Children (Live at The Fonda Theatre)


 

Texto da semana. O Declínio da Natalidade e a família

 




A mudança de relações entre pais e filhos é um exemplo típico da expansão geral da democracia. Os pais já não estão muito seguros dos seus direitos sobre os filhos, os filhos já não sentem que devem respeito aos pais. A virtude da obediência, que era outrora exigida sem discussão, passou de moda e com certa razão.
A psicanálise aterrorizou os pais cultos com o medo de causarem, sem querer, mal aos filhos. Se os beijam, podem provocar o complexo de Édipo; se não os beijam, podem provocar crises de ciúmes. Se os repreeendem em qualquer coisa, podem fazer nascer neles o sentimento do pecado; se não o fazem, os filhos adquirem hábitos que os pais consideram indesejáveis. Quando vêem as crianças a chupar no polegar, tiram disso toda a espécie de conclusões terríveis, mas não sabem o que fazer para o evitar. O uso dos direitos dos pais que era antigamente uma manifestação triunfante da autoridade, tornou-se tímido, receoso e cheio de escrúpulos.

Perderam-se as antigas alegrias simples e isto é tanto mais grave quanto é certo que, devido à nova liberdade das mulheres solteiras, a mãe tem de fazer muito mais sacrifícios do que antigamente ao optar pela maternidade.
Nessas circunstâncias, as mães conscienciosas exigem muito pouco dos filhos e as mães pouco conscienciosas exigem demasiado. Umas reprimem a sua afeição natural e mostram-se reservadas, as outras procuram nos filhos uma compensação das alegrias a que tiveram de renunciar. No primeiro caso, impede-se o desenvolvimento da afectividade das crianças, no segundo estimula-se em excesso. Em nenhum dos dois, porém, há essa felicidade simples e natural que é o melhor que a vida de família pode proporcionar.
Em face de todas estas dificuldades, é de admirar que a natalidade decline?

Bertrand Russell, in 'A Conquista da Felicidade'

Palavra da semana


 


 

A palavra "família" tem origem no latim familia, derivando de famulus, que significava "escravo doméstico" ou "servo". Na Roma Antiga, o termo designava o conjunto de pessoas (esposa, filhos e servos) que dependiam de um chefe de casa (pater familias) e viviam sob o mesmo teto. 

Aqui estão os pontos-chave sobre a origem da palavra:

·         Etimologia Latina: Deriva de famulus (servo/escravo), indicando originalmente um conjunto de servos pertencentes a um senhor.

·         Significado Inicial: Referia-se ao conjunto de bens, servos e pessoas sob a autoridade do pater familias.

·         Evolução: Ao longo dos séculos, o sentido mudou de um concei

to hierárquico e patrimonial (servos e casa) para um conceito baseado em laços sanguíneos, afetivos e de parentesco.

·         Uso no Português: Entrou na língua portuguesa com o sentido de "casa de família" ou grupo de pessoas unidas por laços de parentesco. 

O conceito, portanto, evoluiu de uma definição focada em servidão e propriedade para a definição contemporânea baseada no afeto e na coabitação.