segunda-feira, 11 de maio de 2026

Texto da semana:A Nostalgia da Europa

 


Na Idade Média, a unidade europeia repousava na religião comum. Nos Tempos Modernos, ela cedeu o lugar à cultura (à criação cultural) que se tornou na realização dos valores supremos pelos quais os Europeus se reconhecem, se definem, se identificam. Ora, hoje, a cultura cede, por sua vez, o lugar.Mas, a quê e a quem? Qual é o domínio onde se realizaram valores supremos susceptíveis de unir a Europa? As conquistas técnicas? O mercado? A política com o ideal de democracia, com o princípio da tolerância? Mas, essa tolerância, que já não protege nenhuma criação rica nem nenhum pensamento forte, não se tornará oca e inútil? Ou então, será que podemos entender a demissão da cultura como uma espécie de libertação à qual nos devemos abandonar com euforia? Não sei. A única coisa que julgo saber é que a cultura já cedeu o seu lugar. Assim, a imagem da identidade europeia afasta-se do passado. Europeu: aquele que tem a nostalgia da Europa.

Milan Kundera, in "A Arte do Romance"



Europa: A origem da palavra Europa é incerta, mas provém principalmente da mitologia grega, associada a uma princesa fenícia raptada por Zeus. Etimologicamente, pode derivar do grego eurys ("largo") e ops ("face" ou "olho"), ou de raízes semíticas como o acádio erebu ("pôr-se", referindo-se ao Ocidente



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